Uma palavra: Astonishing! Sempre que um crítico, de cinema ou teatro, principalmente, está meio sem idéia sobre o que dizer da obra, ou mesmo o que achou dela, usa esse adjetivo – e sempre me vem à mente completar: “saúde”. Em segundo lugar, cabeça com cabeça, vêm “mesmerizing” (hipnótico) ou “must-see” (imperdível). Embora clichezões, refletem bem meus sentimentos em relação à cidade.
Uma frase: “Stand Clear of the Closing Doors, Please” (afastem-se das portas sendo fechadas, por favor), que é pronunciada em cada estação do metrô nova-iorquino. Como dos 40 dias na cidade eu devo ter passado uns 10 dentro do metrô, a frase ainda ficará ressonando em mim por um bom tempo. Mas não estou sozinho; o Google retorna quase 800 referências a ela...
Moda masculina: para ser cool em NY esta semana, a moda é ser japonês (na falta deste, qualquer oriental serve), jovem (até 25 passa) e muito magro (50 kg estourando). Se você se enquadra neste perfil, então atenção: aquela camisa xulé branca com gola esgarçada em “V”que você só usava para dormir, e mesmo assim quando a namorada não estava por perto, é o que há no momento. Acordou, é só sair. Se estiver frio, lance casualmente alguma coisa por cima, de preferência no estilo o-defunto-era-menor. A calça deve ser preta e colada ao corpo; nos pés, pasmem, tênis branco. E um iPod, claro, para garantir a beleza da indiferença. Uma figurinha assim acaba de sair na Time Out desta semana, seção “Out There” (Por aí), mas eu já tinho visto vários no mesmo padrão. Se por acaso você não se enquadra no perfil, nem fazendo regime, então paciência: seja elegante e já estará de bom tamanho.Moda feminina: não reparei nenhuma moda específica feminina, até porque sou casado e não fico olhando para mulher.
Outras modas: Aquecimento Global, falar mal do Bush, alimentação eticamente correta, e documentários. Até diretores consagrados em filmes de ficção, como Barbet Schroeder (Mulher Solteira Procura) e Jonathan Demme (O silêncio dos Inocentes) estão lançando documentários. De Schroeder, assisti aqui O Advogado do Terror, sobre um argelino meio chinês que foi o advogado de defesa de alguns tiranos famosos, como Slobodan Milosevic e Carlos, o Chacal.
Uma foto: NY é talvez a capital mundial da saudade, das partidas e chegadas, das idas e vindas, do fluxo contínuo do passado para o presente. Então, para representar tudo isso, escolhi a foto abaixo, que tirei no Staten Island Ferry.
Um filme: Não é toootalmente astonishing, mas “La Vie em Rose”, filme biográfico sobre Edith Piaf, vale a pena pela atuação de Marion Cotillard, que parece incorporar a cantora francesa (edithpiafmovie.com). Bacana e estranho também foi ver Macunaíma num cinema todo americano, gigante e lotado. Não consigo imaginar o que deve ter passado pela cabeça daquela gente vendo aquele destrambelhamento total. E Dina Sfat, hum, no auge de sua beleza...Um show: Project/Object Performing Music of Frank Zappa Featuring Napoleon Murphy Brock, sexta-feira, 12 de outubro, no Lions Den. A música de Frank Zappa já é uma aventura que navega pelo jazz, rock progressivo, psicodélico e irônico, com alguns toques de tropicalismo a la Mutantes, e o show desses caras em sua homenagem foi, como eu poderia dizer, mesmerazing! Quase 4 horas de duração, gente entrando e saindo para tocar e cantar, uma energia incrível, com direito até ao instrumento russo Theremin (patenteado em 1928), que se toca sem encostar a mão, e produz um som tipo disco voador de filme trash antigos.
Um sujeito: Jim Prochilo, ou simplesmente Jimmy. Meu grande companheiro nessa viagem, e só espero que não tenha ido à falência por minha causa, pois cismou de pagar tudo.
Um agradecimento: ao New York Botanical Garden, pela incrível oportunidade que me proporcionou, e aos amigos que fiz ali, pelo carinho e atenção com que me trataram.

Para começar, a revista publica alguns relatos de novaiorquinos que vivenciaram suas fantasias. Audacia Ray, que andava entediada com sua vida de sexo grupal, narra sobre a noite feliz em que foi duplamente penetrada, isto é, penetrada ao mesmo tempo (DP para os íntimos, muito íntimos), pelo namorado e uma amiga do namorado, como ilustra a foto acima, tirada da própria revista. Em outro relato, Samantha Jones, estressada com assuntos de dinheiro e carreira, queria porque queria experimentar um “splosh”, ou seja, sexo lambuzado com alimentos. Na dúvida sobre o que usar, ela e seu namorado foram ao supermercado e compraram pudim de baunilha e espaguete com molho de tomate, descartando o chocolate e o chantilly por serem muito clichê. Como se pode imaginar, a trepada foi desastrosa, mas o casal conseguiu obter boas risadas e um quarto imundo ao final da experiência. Zippy Reynols queria fazer sexo em público, e o fez, num campo de baseball, às duas da manhã, com alguém que conheceu num bar. Tess Danesi queria ser estuprada, e combinou tudo com o namorado, mas ele o executou com tanta veracidade que ela ficou com medo dele. Kay Poison, por sua vez, queria apanhar, ser chicoteado e humilhado por uma fêmea em um ritual sadomasoquista, e para tal contratou Mistress Coraline. A lésbica Pamela Marks queria transar com uma prostituta transsexual. Alpinia Dean fez sexo com sua bicicleta. As histórias são ilustradas por fotos picantes, enriquecidas por comentários de James Bufalino, hilariante comentarista sexual da revista.
Mas, como disse, tudo isso é desnecessário. Nas outras duas vezes que fui ao MoMA, sempre no sextão livre, cheguei à cinco. Nessa hora, as mocinhas da recepção já estão recompostas e penteadas e a súcia, exausta, não agüentando olhar mais nenhum quadro, pode ser até do Papa em pessoa, e sentam-se todos diante do chato do Monet, fingindo que estão apreciando suas impressões sobre plantinhas e laguinhos, quando na verdade estão que não se agüentam com a coluna variando, as varizes latejando, os calos gritando e os pés fervendo dentro daqueles malditos scarpins – quem foi a besta que falou para vir de scarpin?
Como eu disse no início deste, no entanto, eu também venho sofrendo o transtorno do frenesi fotográfico. Portanto tenho centenas de fotos para mostrar para os parentes e amigos. Ao invés de importuná-los com sessões infindáveis – “aqui, sou eu comendo tomando cerveja da China”, “este sou eu na Estátua da Liberdade”etc. – resolvi explorar mais uma ferramenta desses tempos modernos, criando o maravilhoso álbum de fotografias de minha viagem na internet, cujo endereço é 


